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Quem ainda pode entrar no índice? A MSCI traça uma linha clara
A MSCI quer endurecer seus critérios de inclusão e, pela primeira vez, estabelecer uma divisão nítida entre empresas "de verdade" e aquelas que… simplesmente existem. Em termos práticos, a proposta foca em companhias que não apresentam receitas ou atividades operacionais significativas. São elas: holdings, empresas de fachada ou – sim – empresas cujo principal negócio é simplesmente deter Bitcoin. A MicroStrategy, que se tornou famosa por suas compras bilionárias de Bitcoin, ou a Metaplanet, que se reinventou no Japão como uma "empresa estratégica de Bitcoin", poderiam ser enquadradas nessas normas.
Para a MSCI, a lógica é clara: quem não opera ativamente não deveria estar em um índice que serve de referência para investidores. Mas a questão é: isso é justo? Ou será uma tentativa disfarçada de manter o Bitcoin e ativos semelhantes afastados do sistema financeiro mainstream?
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Detentores de Bitcoin como "sonâmbulos" do mundo financeiro?
O tema fica ainda mais interessante – e talvez até absurdo – quando se fala das empresas de Bitcoin. Essas companhias não compram Bitcoin apenas como especulação; elas gerenciam ativamente uma carteira de ativos, semelhante a uma gestora de investimentos. A MicroStrategy, por exemplo, vem adquirindo Bitcoin de forma sistemática há anos e hoje detém um patrimônio bilionário na criptomoeda. Já a Metaplanet multiplicou seu valor de mercado em questão de meses ao se posicionar como uma "empresa de Bitcoin".
No entanto, a MSCI pode transformar isso em um problema. Afinal, se uma empresa não aplica seu capital em fábricas, pesquisa ou comércio, mas sim em Bitcoin, ela cairá na nova categoria de "empresas não operacionais". A acusação: elas não criam "valor mensurável" para os acionistas. É um argumento forte – mas também muito restritivo. Afinal, muitos fundos de investimento tradicionais também não produzem nada além de deter ações ou títulos sem fabricar produtos.
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Metaplanet: o exemplo perfeito da absurdidade da regra
Tomemos a Metaplanet como exemplo. Durante anos, a empresa lutou com negócios instáveis, até que, há alguns meses, mudou radicalmente de rumo: comprou Bitcoin. De repente, voltou a ser notícia – não por sua força operacional, mas por sua estratégia com a criptomoeda. Agora, justamente isso pode se tornar sua ruína.
A MSCI poderia argumentar: a Metaplanet não é mais uma "empresa de verdade", mas um mero veículo de investimento em Bitcoin. A exclusão dos índices MSCI seria a c
onsequência. Isso teria não só impactos financeiros, mas também um peso simbólico: os mercados tradicionais estariam sinalizando que ainda não aceitam o Bitcoin como uma classe de ativos plena.
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O mundo financeiro reage – com opiniões divididas
Não é de surpreender que o anúncio já tenha gerado discussões. De um lado, estão os defensores das novas regras, que buscam mais clareza e transparência na composição dos índices. Do outro, críticos alertam para consequências não intencionais.
"Se a MSCI excluir empresas como a MicroStrategy, isso envia um sinal equivocado", diz um gestor de portfólio com quem conversei recentemente. "O Bitcoin já é parte integrante dos mercados financeiros globais. Empresas que o detêm estrategicamente cumprem uma função importante, semelhante à de gestoras de investimento." Outros enfatizam que a MSCI, com essa regra, quer atingir principalmente empresas de fachada que existem há décadas sem atividade real. Que, nesse processo, empresas de Bitcoin sejam atingidas seria, em parte, coincidência.
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O que vem agora? A MSCI ouve – por enquanto
Até 31 de outubro de 2024, está aberta a fase de consulta. Até lá, todas as partes interessadas podem apresentar suas opiniões – esperemos que com mais peso do que uma simples carta formal. Se a mudança for aprovada, ela poderá entrar em vigor a partir do primeiro trimestre de 2025. Até lá, as empresas afetadas teriam tempo de ajustar seus modelos de negócio – seja reduzindo suas reservas de Bitcoin ou desenvolvendo atividades operacionais adicionais.
Para a MicroStrategy ou a Metaplanet, isso significaria: ou elas se adaptam – ou perdem o acesso a alguns dos índices mais importantes do mundo. Uma exclusão poderia, a longo prazo, levar a menor liquidez e maior volatilidade, já que muitos fundos seriam obrigados a vender suas posições.
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Um chamado à atenção – ou um revés para o setor cripto?
Independentemente do desfecho da consulta, os planos da MSCI mostram, mais uma vez, quão duro pode ser o conflito entre o sistema financeiro tradicional e classes de ativos inovadoras. Enquanto alguns tentam integrar o Bitcoin e as criptomoedas ao mainstream, ainda há resistências significativas. Talvez esse movimento seja até um chamado à atenção para o setor cripto.
Em vez de se irritar com tais exclusões, empresas como a MicroStrategy ou a Metaplanet poderiam aproveitar a oportunidade para profissionalizar ainda mais seus modelos de negócio. Poderiam demonstrar que não apenas detêm Bitcoin, mas o utilizam ativamente – seja por meio de staking, lending ou outros serviços financeiros ao redor da criptomoeda. Talvez o próximo passo seja não lutar contra as regras, mas reinterpretá-las de forma que funcionem para empresas de Bitcoin.
Uma coisa é certa: se a MSCI realmente implementar a exclusão, isso acirrará ainda mais o debate sobre o papel do Bitcoin no sistema financeiro global. E talvez esse seja justamente o ponto – pois só quando tais conflitos são levados a público é que uma integração real pode, ao final, se consolidar. Ou, nas palavras
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