Stablecoins como um truque de mão?
Sim, é verdade que o governo dos EUA está efetivamente a experimentar as Stablecoins. Porquê? Porque funcionam de forma rápida, económica e independente de bancos tradicionais. Uma grande vantagem para a liquidez de curto prazo – especialmente quando os cofres voltam a esvaziar-se. Mas, sinceramente: isto é como pôr um penso rápido num ferimento por bala. Ajuda a curto prazo, mas não estanca a hemorragia.
E é precisamente aqui que reside o problema. Nas últimas décadas, os EUA afundaram-se num enorme problema de dívida – especialmente nas obrigações de longo prazo. 28 mil milhões de dólares em títulos de 30 anos soam a muito, mas é apenas a ponta do icebergue. O verdadeiro problema? A refinariação destas dívidas torna-se cada vez mais difícil. E as Stablecoins? Simplesmente não servem para isso.
Reservas GENIUS – um placebo dispendioso?
Analisei isto com atenção: as chamadas reservas GENIUS, que o Ministério da Fazenda utiliza como reserva de emergência, cobrem apenas 93 dias de liquidez. É como tentar salvar um navio a afundar-se com uma colher de chá. Sim, as Stablecoins podem ajudar a curto prazo, mas não substituem uma disciplina orçamental real.
E as coisas tornam-se ainda mais absurdas: ao mesmo tempo, o Ministério da Fazenda está a recomprar massivamente obrigações de longo prazo – não para as eliminar, mas para as refinanciar. Um ciclo vicioso de dívida e mais dívida. As Stablecoins não podem ajudar aqui porque simplesmente não foram concebidas para esse efeito.
Po
rque as Stablecoins não resolvem o problema
Deixemos de lado o discurso inflamado. As Stablecoins apresentam três grandes problemas:
1. Não são tão estáveis como prometem. Mesmo que estejam indexadas ao dólar, podem desvalorizar-se em tempos de crise (como em março de 2020). E se isso acontecer, quem salva os EUA?
2. A regulação é um pesadelo. Muitas Stablecoins operam numa zona cinzenta legal. Uma nova legislação poderia torná-las inúteis de um dia para o outro – e depois?
3. Não têm capacidade de escalar. Os EUA gastam biliões todos os anos. Mesmo que as Stablecoins cobrissem uma pequena parte, nunca chegariam para suportar as obrigações de longo prazo.
O que resta? O caminho clássico – só que mais caro
O governo continua a recorrer ao velho método: contrair novas dívidas para pagar as antigas. Mas é como uma roda de hamster – gira cada vez mais depressa, mas não se chega a lado nenhum. A Reserva Federal imprime dinheiro, as taxas de juro sobem, e, em algum ponto, até mesmo a economia mais forte não consegue acompanhar.
Alguns peritos sugerem misturar Stablecoins com instrumentos financeiros clássicos – mas, até agora, isto não passa de teoria. A realidade é que os EUA caminham para uma crise de dívida, e as Stablecoins são apenas mais uma ferramenta num jogo muito maior e muito mais perigoso.
A dura verdade
Vejamos os números:
- Dívida pública total: 34 biliões de dólares
- Volume global do mercado de Stablecoins: 130 mil milhões de dólares
- Obrigações de 30 anos: 28 mil milhões de dólares (e isto é apenas uma fração do problema)
As Stablecoins são úteis no dia a dia, mas não são a solução para um problema estrutural. Os EUA precisam de reformas reais – não de mais truques digitais.
Conclusão?
As Stablecoins são como um penso rápido numa amputação. Ajudam a curto prazo, mas não curam a ferida. E enquanto os EUA não resolverem seriamente o seu problema de dívida, nada mudará – não importa quantos dólares digitais ponham na balança.
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