Basta olhar para o recente relatório do Georgetown Law Center on Privacy and Technology: 69 agentes nos EUA teriam usado dados de placas de veículos para fins privados, desde monitorar ex-parceiros até vendê-los a criminosos. O caso mais revoltante ocorreu em Michigan, onde um departamento do xerife manteve uma lista secreta de jornalistas e ativistas por anos. Tudo isso com tecnologia vendida pela Flock Safety desde 2016 para mais de 1.500 agências policiais. "Isso salva vidas", diz Langley. Mas a que custo?
As críticas são justificadas: os dados — perfis de localização, padrões de movimento, informações pessoais — muitas vezes são armazenados e compartilhados sem ma
ndado judicial, com seguradoras, empresas privadas ou qualquer um que os solicite. A Flock Safety alega apagar automaticamente as informações após 30 dias, mas especialistas como Hayley Tsukayama, da EFF, não se convencem: "30 dias são uma eternidade quando se trata de vigilância." Enquanto estados como a Califórnia tentam regulamentar a tecnologia, o resto do país segue no faroeste digital.
A resistência cresce: Portland baniu o uso, e ativistas em Nova York e Texas lutam por leis semelhantes. Mas no nível federal? Nada. Um projeto de lei do senador Ron Wyden está parado há meses, enquanto lobistas como a Flock Safety continuam agindo livremente. "Liberdade ou segurança" — esse velho debate ganha uma dimensão perigosa com IA e monitoramento em massa.
Para mim, isso é um alerta. Onde termina a aplicação legítima da lei e começa o Estado de vigilância? Se jornalistas e cidadãos inocentes acabam em bancos de dados por passarem por perto, não é mais um "compromisso". É uma emergência. E a pergunta não é mais se, mas quando a "segurança" se transformará em vigilância.
O que vocês acham? Onde traçamos o limite?
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