Em uma recente conversa com o Crypto Journal, Cuomo não poupou palavras: “Algo precisa ser feito”. E ele está certo. Enquanto a Suíça, Singapura ou a UE já estabeleceram regras claras para ativos digitais, Washington age como um navio sem capitão. Cuomo, que há anos implementou uma das primeiras licenças estaduais para criptomoedas nos EUA com a BitLicense, vê o país em um impasse perigoso: perdemos força inovadora e controle sobre um mercado que já é grande demais para ser ignorado.
Os EUA estão em recuo?
Sua proposta é o Crypto-Legislation Advancing Regulatory Transparency and Innovation Act (CLARITY Act), um projeto de lei recentemente apresentado ao Congresso. Sim, admito que o nome soa burocrático. Mas por trás do título complexo esconde-se algo essencial: uma regulamentação harmonizada que traz clareza sem sufocar a inovação. Cuomo resume: “Trata-se de construir pontes entre o sistema financeiro tradicional e o setor cripto – antes que outros países assumam esse papel.”
O problema? Os EUA estão mais divididos do que nunca. Enquanto estados como Wyoming ou Texas aprovam leis favoráveis às criptomoedas, outros – especialmente Nova York, sob a liderança de sua sucessora Kathy Hochul – impõem regulações excessivas. Ao mesmo tempo, iniciativas políticas no Congresso frequentemente fracassam devido à resistência de forças conservadoras que ainda veem as criptomoedas como “ferramenta para criminosos”. A realidade, no entanto, é outra: segundo
a Blockchain Association, o mercado cripto dos EUA tem uma capitalização de mais de US$ 2,5 trilhões – e continua crescendo.
CLARITY Act: esperança ou mais um projeto sem futuro?
O CLARITY Act propõe três mudanças-chave:
1. Definições unificadas – finalmente, clareza sobre o que são criptomoedas, security tokens e utility tokens.
2. Sandboxes inovadoras – ambientes de teste para startups, onde possam superar barreiras regulatórias sob supervisão.
3. Colaboração com a SEC – em vez de recorrer constantemente a processos judiciais, o órgão regulador deve trabalhar em conjunto com a indústria.
Cuomo deixa claro que isso não será um passe livre para projetos duvidosos. “Regulamentação não significa proibição”, afirma. “Trata-se de criar um ambiente no qual empresas sérias possam prosperar – e golpistas não tenham espaço.”
Quem liderará a regulamentação das criptomoedas?
Enquanto os EUA ainda debatem, outros países já agiram:
- A Suíça atrai com a licença VQF para bancos cripto.
- Singapura atrai investidores com seu framework MAS.
- A UE implementará, a partir de 2024, regras unificadas com o regulamento MiCA.
- O Japão reconhece o Bitcoin como meio de pagamento legal desde 2017.
Cuomo lembra: “Os EUA já foram o epicentro da inovação financeira.” Mas, se não agirmos agora, outro país assumirá esse papel – e perderemos não só oportunidades econômicas, mas também influência política.
Conclusão: o tempo está se esgotando
O aviso de Cuomo é claro: ou os EUA estabelecem regras como o CLARITY Act para impulsionar a inovação, ou correm o risco de perder o controle do mercado global de criptomoedas. “A tecnologia não dorme, e os mercados de capitais tampouco”, diz ele. “Se não agirmos agora, será tarde demais.”
Resta saber se o Congresso terá coragem de agir. Mas uma coisa é certa: quem demorar demais não apenas ficará para trás, como também terá de pagar a conta – e ela será alta.
📰 Leia também
→ VVV em busca de recorde – Será que um novo rally está a caminho?→ Illuvium perde o fôlego – mas seu MMORPG pode ser a salvação→ Monad atinge salto de 12% – TVL em US$ 2,677 bilhões: O MON pode quebrar a barreira de US$ 0,03?