O homem não só construiu bilhões, como também tem a coragem de expor verdades incômodas. E o que ele diz sobre os planos de recompra não é nada tranquilizador: para ele, isso não é uma gestão inteligente da dívida, mas um jogo de roleta russa com o nosso futuro econômico. “O governo está tentando abolir a lei da gravidade”, ele já declarou em uma entrevista, acertando em cheio no alvo. Normalmente, são os mercados que nos fornecem os fatos duros: quanto custa, de fato, quando um Estado se endivida repetidamente? Quais riscos corremos? Mas quando a própria política se torna o maior comprador de seus próprios títulos, esse mecanismo natural de ajuste é sabotado. E é como tentar apagar o sol com uma lanterna — simplesmente não funciona.
O que mais preocupa? Druckenmiller não alerta apenas sobre as consequências diretas, mas sobre uma espiral que acelera cada vez mais: juros artificialmente baixo
s pela demanda artificial? Soa bom, a princípio. Mas o que acontece quando o Estado perde o incentivo de controlar seus gastos? Quando os investidores passam a acreditar que “o mercado vai salvar” o que já não pode ser salvo? Chega um momento em que nos deparamos com uma dívida incontrolável — e com um sistema financeiro construído sobre areia movediça.
E ainda há o papel da Reserva Federal, que, com suas compras de títulos, já se tornou a “mão invisível” do governo. 25% de todos os títulos do governo dos EUA nas mãos do banco central? Isso já não é mais “afrouxamento quantitativo” — é política monetária governamental. E tem consequências: os investidores desconfiam da independência do Fed, sabendo que ele não age mais livremente. O resultado? Inflação, perda de confiança e, no limite, uma moeda que só se mantém estável no papel.
Não quero exagerar — mas também não posso fingir que isso seja uma manobra fiscal normal. Os EUA estão diante de uma decisão fundamental: ou aceitam as duras verdades dos mercados e retornam à disciplina, ou seguem nesse caminho perigoso na esperança de que tudo termine bem. Depois de tudo o que sei sobre a experiência de Druckenmiller e de casos históricos como o do Japão, essa é uma aposta que não devemos fazer.
Porque uma coisa é certa: a conta chegará. E quando chegar, será cara.
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